O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto de Educação Roberto Bernardes Barroso (IERBB/MPRJ) e a Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), promoveu, nesta terça-feira (20/10), a 1ª edição do curso de Ferramentas Aplicadas à Investigação Financeira e Patrimonial. Realizada na sede da instituição, a capacitação, com carga de sete horas, foi voltada ao público interno e busca promover o aprimoramento da investigação em relação ao uso prático de recursos tecnológicos para a análise de informações financeiras, patrimoniais e fiscais.
A abertura do evento foi realizada pelo diretor do IERBB/MPRJ, promotor de Justiça Leandro Navega; o coordenador de Inteligência da Investigação da CI2/MPRJ, Francisco Cardoso, e a promotora de Justiça, assessora da CI2/MPRJ, Carolina Wienskoski. “O curso de hoje demonstra que a atual gestão do MPRJ valoriza e investe na tecnologia. A capacitação é uma forma de agregar esses investimentos e recursos com o conhecimento voltado para os membros e servidores”, destacou Leandro Navega, durante a abertura.
A proposta do curso é capacitar para a utilização de ferramentas como Órion, ISA e LUNA no apoio à investigação financeira, para que os membros e servidores da instituição que atuam na área de inteligência, investigação e produção de conhecimento para a execução penal e a tutela do interesse público tenham maior autonomia e repertório de conhecimento para sua atuação diária.
“Seguindo as diretrizes traçadas pelo nosso procurador-geral de Justiça de valorização da atividade-fim, todas as ferramentas criadas visam a dar mais autonomia investigativa aos colegas. O Órion, por exemplo, é uma ferramenta disponibilizada para ser utilizada diretamente pelo promotor natural e sua equipe, no seu órgão de execução ou promotoria e nos grupos de atuação especializada”, disse o coordenador da CI2/MPRJ, Francisco Cardoso.
Na primeira parte do dia, a aula foi ministrada pelas servidoras do MPRJ, com MBA em Direito da Tecnologia, Aline Paula Cruz, e Vivian Tomé, mestra em Modelagem Matemática da Informação. Durante a exposição, as docentes reforçaram a importância das ferramentas apresentadas no curso e, durante a manhã, propuseram aos alunos uma atividade voltada para a observação de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), a partir do Órion. A proposta da dinâmica era demonstrar a configuração da plataforma e seus principais recursos, como análise de dados financeiros e patrimonial, de forma que possibilite o cruzamento de dados para investigar possíveis incompatibilidades de renda e movimentação financeira, assim como fraudes, lavagem de dinheiro, entre outros.
Programação da tarde
Em seguida, Aline Paula Cruz e Vivian Tomé deram prosseguimento ao evento durante o período da tarde, ainda demonstrando as utilidades do Órion. Ao fim da apresentação, Aline Cruz ressaltou a importância de estudar para melhor conhecer e utilizar a plataforma: “A ferramenta exige treino e experiência, e o Núcleo de Apoio à Persecução Patrimonial e Recuperação de Ativos (NAPPRA) está à disposição para auxiliar no desenvolvimento”.
Após a fala das duas docentes, o evento seguiu com o lançamento oficial da ISA, agregadora de fontes abertas produzida pelo MPRJ. Apresentada por Welinton Rodrigues da Silva, analista de inteligência da CI2/MPRJ, a ferramenta é destinada ao levantamento e organização de dados para investigação de um determinado alvo, por meio do cruzamento de informações públicas disponíveis online. Welinton, desenvolvedor da plataforma, esclareceu que sua utilidade é acessível: “Eu tentei desenvolver uma interface a mais prática possível, para que todos possam utilizar, não só quem é analista, ou quem detém conhecimentos de pesquisa”.
O curso terminou após a apresentação de Celso Levy e Rayssa Kelly de Luna Sousa, respectivamente, assessor e estagiária não-jurídica da Coordenadoria de Inteligência da Informação CSI/MPRJ. Os docentes apresentaram o Luna, ferramenta de extração, estruturação e análise de notas fiscais eletrônicas. Segundo Celso Levy, a plataforma permite o levantamento de hipóteses para aprofundamento investigativo e cruzamento de fontes, a partir da análise dos dados disponíveis nas notas fiscais. “A ideia é que a gente possa ver as relações existentes; a valoração, para poder identificar as transações; eventualmente as circulações, os locais de interesse e a questão da temporalidade e sazonalidade”, pontuou.
Por MPRJ em 20/10/2026