O Instituto de Educação Roberto Bernardes Barroso (IERBB/MPRJ) realizou, nesta quinta-feira (24/09), o evento híbrido “Combate às Barreiras Atitudinais e ao Capacitismo no Ambiente de Trabalho”, em parceria com a Comissão Permanente Multidisciplinar de Acessibilidade (CPMA/MPRJ) e o programa “MP Atitude Inclusiva”. A atividade teve como objetivo ampliar a conscientização sobre comportamentos e práticas que dificultam a inclusão e a participação plena das pessoas com deficiência, estimulando relações profissionais mais acessíveis, respeitosas e inclusivas.
A abertura do encontro foi realizada pelo promotor de Justiça Leandro Navega, Diretor do IERBB e pela promotora de Justiça Cristiane Branquinho Lucas, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Cíveis e Pessoa com Deficiência.
A palestra foi conduzida por Flávia Albaine, Defensora Pública do Estado de Rondônia e mestra em Direitos Humanos. Ao longo do encontro, a palestrante apresentou uma perspectiva histórica sobre os diferentes modelos de compreensão da deficiência, destacando a passagem do chamado modelo médico, associado à ideia de integração, para o modelo social, que desloca o olhar para as barreiras existentes na própria sociedade e para a construção de condições efetivas de inclusão.
Ao atualizar essa perspectiva, Flávia chamou atenção para aspectos como a interseccionalidade, a necessidade de considerar também as experiências das pessoas cuidadoras e a compreensão de que a eliminação de barreiras não implica necessariamente autonomia completa. Nesse contexto, a necessidade de cuidados foi apresentada como parte possível da experiência humana, sem que a dependência de apoio deva ser compreendida, por si só, como um problema.
A palestra também abordou o conceito de capacitismo estrutural e algumas de suas diferentes manifestações. Entre as categorias apresentadas estiveram o capacitismo direto, dirigido à própria pessoa com deficiência; o capacitismo por associação, que alcança pessoas de sua convivência; além do capacitismo religioso, recreativo e ambiental. A abordagem buscou demonstrar como práticas discriminatórias podem aparecer em diferentes dimensões da vida cotidiana e das relações sociais.
Outro eixo do encontro foi o conceito de barreira, previsto na Lei Brasileira de Inclusão como qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento capaz de limitar ou impedir a participação social e o exercício de direitos das pessoas com deficiência. A palestra percorreu as seis categorias previstas na legislação: barreiras urbanísticas, arquitetônicas, nos transportes, nas comunicações e na informação, atitudinais e tecnológicas.
No ambiente profissional, a discussão ganhou atenção especial para as barreiras atitudinais, relacionadas a comportamentos, percepções e práticas que podem limitar oportunidades e participação mesmo quando existem condições formais de acessibilidade. A palestrante apresentou exemplos práticos e situou essas barreiras dentro de uma discussão mais ampla sobre inclusão no mercado de trabalho.
Encontro também contou com a participação do público que, de forma presencial e online, enviou dúvidas, sugestões e apresentou relatos.
Por IERBB/MPRJ em 24/09/2026